Reflexão Filosófica de Platão: Uma Análise do Livro Teeteto

  • Tatiane Daby de Fátima Faria Borges
  • Maria Juliana Dias
  • Pollyana Abadia Vargas
  • Janaina Junqueira Valaci Cruvinel
Palavras-chave: Platão, Teeteto

Resumo

A obra Teeteto traz como questão central a indagação: o que é o conhecimento? Através de um diálogo entre Sócrates e Teeteto, o texto procura estabelecer diferentes formas de compreender o que é o conhecimento, o que é o saber e por conseguinte os conceitos de opinião verdadeira e falsa.

Durante todo o diálogo Sócrates através de seu método indagativo procura inquietar Teeteto na busca de se apresentar um único conceito de conhecimento construído por questionamentos em busca de ideias, partindo do pressuposto que a verdade está em constante mudança, assim não é possível conhecer algo que é constantemente mutável, ou seja, nada é em si.

Pode-se dizer que inicialmente o conhecimento seria atingido por meio da percepção e dos sentidos, sendo esses particulares aos homens e a unicidade do ser. Onde no decorrer do diálogo, esta hipótese foi refugada pelo motivo que derivado da subjetividade destas percepções, o conhecimento pode gerar percepções falsas, assim por mais que se tente formular um conceito sobre o conhecimento, não seria possível chegar a uma definição precisa, sendo incansável a busca do homem pelo saber.

Quando se fala de opinião falsa, pode-se dizer que, quando um homem opina sobre algo que conhece ou que pensa conhecer pelas suas experiências e percepções sobre essa coisa, ele não dá margem a indagações e questionamentos, contentando com suas percepções iniciais, criando uma crença, um falso conhecimento, que inicialmente o satisfaz.

A obra Teeteto traz uma separação clara entre mundo inteligível e mundo sensível; donde, se atinge o mundo inteligível por meio do auto-conhecimento, afirmando a máxima: conhecer não é ver. Sendo que a verdade está no mundo inteligível que é um mundo universal marcado na alma. Usando como metáfora ilustrativa a Símile do Bloco de Cera

(...) aqueles cuja cera é líquida têm facilidade para aprender, mas torna-se esquecidos, enquanto, com aqueles cuja cera é dura, ocorre o contrário. Os que têm a sua cera hirsuta e áspera, como se fosse pedra, repleta de terra, ou de sujidade mesclada com ela, têm impressões sem clareza, e, se a alminha de uma pessoa é pequena, são ainda mais carentes de clareza que aquelas. Por conseguinte, todos estes são os que chegam a opinar falsidades. (PLATÃO, 2015, p. 288).

 

Assim para Sócrates como para Teeteto, tirada a subjetividade e o empirismo das percepções que inicialmente conduzem as opiniões falsas, o que pode conduzir as verdades é a natureza das coisas trazidas ou encontradas pela alma e pelo seu processo de reminiscência e a imortalidade.

Seria a alma a condutora às opiniões verdadeiras, já que em outras vidas, as almas viram todas as coisas, tanto as deste mundo como as do Hades, tendo impressões suficientes para saber de maneira verdadeira atingindo assim o mundo inteligível que só é alcançado mediante o constante ato de “reminecer” da alma.

Plantão 2010, afirma que quando a cera de alguém não é apenas densa, mas abundante e lisa, o que vem através das percepções grava-se no “coração” da alma, onde mesmo não desviando das percepções, tem opiniões verdadeiras, aprendem com facilidade e tem boa memória, essas pessoas são chamadas de sábias.

Para Sócrates e Teeteto sem a reminiscência da alma, tudo o que dermos por saber cai por opinião falsa, até mesmo uma ciência exata, mesmo que o conhecimento inicialmente esteja atrelado às percepções, e emitindo uma opinião, a alma fará o julgamento desta opinião dando a ela o status de falsa ou verdadeira, sendo da natureza do homem formar opinião estando estas ligadas ao saber e ao não saber.

Assim pode-se acreditar segundo a obra, que o saber é indicado por aquilo que está na alma, estamos constantemente em busca do saber, em análise das percepções e impressões procurando eliminar as falsas opiniões que são primárias e sensoriais para atingir as opiniões verdadeiras.

[...] estamos a investigar o saber, será uma completa parvoíce sustentar que é uma opinião correta acompanhada de saber, seja do saber da diferença, seja do de qualquer outra coisa. Por conseguinte, o saber não será sensação, nem opinião verdadeira, nem explicação acompanhada de opinião verdadeira. (PLATÃO, 2015, p. 321).

Concluo que a dialética do conhecimento torna-se premissa maior deste texto, partindo da máxima de que “o homem é a medida de todas as coisas” enfatizando uma discussão secular em que não há verdade absoluta, e que toda forma de percepção sensitiva gera indagações internas que são conclusivamente a formação de opiniões falsas e de opiniões verdadeiras.

Haja vista o dialogo em voga, vê-se colocações que remetem ao fato de que opiniões falsas são tudo aquilo que se acolhe como “verdade” sem se aprofundar em auto indagações, mostrando que os sentidos humanos podem enganar.

Em contra partida, opiniões verdadeiras resultam do abandono de pré - concepções em opiniões irrefletidas, e a adequação às ideias que levarão ao inteligível fundamento do conhecimento através do pensamento reflexivo que é obtido pelo exercício da alma e das marcas trazidas por esta.

Por fim, em análise sucinta, porém completa desse dialogo, o saber dar-se-á pela percepção, raciocínio e pelo exercício da razão com a formação do conhecimento pela intuição intelectual. Portanto, em reflexão crítica ao texto Teeteto, acredita-se que o conhecimento parte sim de um mundo sensível que desperta ao aprofundamento intelectual e factível remetendo a um mundo inteligível, valendo a ressalva de que toda explicação racional obtida por essas indagações são limitadas e ora sendo verdadeiras ora sendo contestáveis pela dialética do conhecimento que certamente é ilimitado e curiosamente intrigante por não cessar indagações.

Biografia do Autor

Tatiane Daby de Fátima Faria Borges

Mestranda em Educação pela UFU, Graduada em Pedagogia pelo UNICERP, Pos- graduada em Psicopedagogia pela UNIFUCAMP, Metodologia do Ensino Superior pela FCC, Supervisão Pedagógica pela FIJ e Docência na Educação Infantil pela UFU, Especialista da Educação Básica na rede pública do município de Coromandel/MG e Docente no curso de Pedagogia da Faculdade Cidade de Coromandel.

Maria Juliana Dias

Mestra em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Graduada em Pedagogia pela FCC. Docente do Curso de pedagogia na FCC.

Pollyana Abadia Vargas

Especialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior em 2012 pela FCC. Graduada em Pedagogia no ano de 2009 pela mesma instituição. Professora no Curso de Pedagogia da Faculdade Cidade de Coromandel (FCC), Coromandel-MG.

Janaina Junqueira Valaci Cruvinel

Graduada em Pedagogia e Pós-Graduada em Psicopedagogia; Supervisão Pedagógica e Orientação Escolar pelo UNICERP; Pós-Graduanda em Coordenação Pedagógica pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestre em Educação pela UFU – Universidade Federal de Uberlândia. Especialista da Educação Básica na rede pública do município de Coromandel/MG e Docente no curso de Pedagogia da Faculdade Cidade de Coromandel.

Referências

Platão. Teeteto. Trad. Adriana Manuela Nogueira e Marcelo Boeri. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2015. (Coleção Textos Clássicos).

Publicado
2019-12-20